Seus relatórios do Power BI demoram para carregar? Você usa DirectQuery e sente que os visuais travam a cada filtro? Existe um modo de conexão que promete mudar isso — e ele já está disponível para quem usa o Microsoft Fabric.
O Direct Lake Mode é o novo padrão de performance no ecossistema da Microsoft para Analytics. Neste artigo, você vai entender como ele funciona, quando faz sentido usá-lo e como ele se compara aos modos que você já conhece.
Os três modos de conexão do Power BI
Para entender o Direct Lake, primeiro precisamos revisitar o que já existe.
Import Mode
O modo mais popular. Os dados são copiados para dentro do Power BI, compactados na memória pelo motor VertiPaq e consultados com altíssima velocidade. O problema? Os dados só são atualizados quando você agenda um refresh — e datasets muito grandes podem demorar horas para carregar.
Use quando: o dataset é de tamanho médio, os dados não precisam ser atualizados em tempo real e a velocidade de interação é prioridade.
DirectQuery
Neste modo, o Power BI não armazena nada. Cada clique em um visual gera uma consulta direta na fonte de dados. Os dados estão sempre atualizados, mas a performance depende totalmente de quão rápido o banco de dados responde — e isso pode ser lento.
Use quando: os dados precisam estar sempre em tempo real ou o volume é grande demais para importar.
Direct Lake Mode
Aqui está o protagonista. O Direct Lake foi criado para ser o melhor dos dois mundos: a velocidade do Import Mode com a atualização quase em tempo real do DirectQuery — sem duplicar dados.
Use quando: você opera dentro do Microsoft Fabric com tabelas Delta no OneLake e precisa de alta performance com dados sempre atualizados.
Como o Direct Lake funciona na prática
O Direct Lake não importa dados nem consulta a fonte original a cada clique. Em vez disso, ele conecta o modelo semântico do Power BI diretamente às tabelas Delta armazenadas no OneLake — o armazenamento unificado do Microsoft Fabric.
O processo funciona assim:
- Os dados ficam no OneLake, armazenados em formato Parquet (eficiente para consultas colunares).
- Quando uma consulta é executada, o motor VertiPaq carrega para a memória apenas as colunas necessárias — não o dataset inteiro.
- Quando os dados mudam na fonte, o refresh do Direct Lake atualiza apenas os metadados. Isso leva segundos, não minutos ou horas.
O resultado? Relatórios com tempo de resposta próximo ao do Import Mode, com dados que podem refletir mudanças em quase tempo real.
Direct Lake on OneLake vs. Direct Lake on SQL
Desde março de 2026, o modo Direct Lake on OneLake está em disponibilidade geral e é o recomendado pela Microsoft.
- Melhor compatibilidade com a segurança do OneLake
- Mais recursos de modelagem, incluindo colunas calculadas, que chegaram em abril de 2026
- Desempenho de consulta superior
Já o Direct Lake on SQL usa o endpoint de análise SQL do Fabric e permite fallback para DirectQuery — útil em cenários específicos de permissões e governança.
Quando o Direct Lake pode cair para DirectQuery (e o que fazer)
Um ponto importante: o Direct Lake pode recorrer ao modo DirectQuery automaticamente em algumas situações.
- Consultas DAX muito complexas
- Relacionamentos de alta cardinalidade
- Limites de memória da capacidade do Fabric
- Uso de views em vez de tabelas físicas
Isso se chama fallback e pode causar queda perceptível de performance. Para evitá-lo:
- Use tabelas físicas (não views) no Lakehouse
- Otimize as tabelas Delta com V-Order, já habilitado por padrão no Fabric
- Dimensione corretamente a capacidade do Fabric para o volume e concorrência esperados
Comparativo rápido: Import vs. DirectQuery vs. Direct Lake
- Dados armazenados — Import Mode: na memória do Power BI | DirectQuery: na fonte original | Direct Lake: no OneLake (Delta)
- Atualização — Import Mode: agendada | DirectQuery: tempo real | Direct Lake: quase tempo real
- Performance — Import Mode: alta | DirectQuery: variável | Direct Lake: alta
- Requer Fabric — Import Mode: não | DirectQuery: não | Direct Lake: sim
- Ideal para — Import Mode: datasets médios | DirectQuery: dados em tempo real | Direct Lake: grandes volumes no Fabric
Vale a pena migrar para o Direct Lake?
Se a sua empresa já usa o Microsoft Fabric — ou está planejando migrar — a resposta é quase sempre sim. O Direct Lake reduz o custo de atualização, elimina a duplicação de dados e entrega performance equivalente ao Import Mode mesmo em grandes volumes.
Mas se você ainda opera fora do Fabric, o Import Mode continua sendo a melhor opção para a maioria dos cenários. E o DirectQuery segue sendo necessário quando os dados precisam ser absolutamente em tempo real e a fonte de dados suporta bem a carga de consultas.
A boa notícia é que o Direct Lake não é uma substituição radical — é uma evolução natural para quem cresce com o ecossistema da Microsoft.
Conclusão
O Direct Lake Mode representa uma mudança real na forma como o Power BI lida com dados em grande escala. Ao combinar a velocidade do VertiPaq com a flexibilidade do OneLake, a Microsoft resolveu um dos maiores trade-offs da plataforma: escolher entre performance e atualização.
Se você trabalha com Analytics em um ambiente Fabric, vale estudar essa modalidade com cuidado — e começar a planejar uma migração gradual das suas soluções mais críticas.
