Microsoft Fabric

Microsoft Fabric Free vale a pena? O que dá para fazer de graça em 2026

Entenda a diferença entre o trial gratuito de 60 dias e a licença permanente do Microsoft Fabric, o que cada um permite fazer e em quais cenários faz sentido começar sem pagar nada.

Artigo publicado

Renan Brognoli

2026-08-279 minMicrosoft Fabric

Quando a Microsoft anunciou o Microsoft Fabric, muita gente ficou curiosa sobre o que conseguiria usar sem pagar nada. A resposta curta: dá para fazer bastante coisa, mas tem um porém que ninguém quer ouvir.

A boa notícia é que existe um trial generoso. A má notícia é que "gratuito para sempre" e "gratuito por 60 dias" são conceitos bem diferentes, e a Microsoft às vezes deixa essa distinção propositalmente embaçada.

Aqui vai a explicação sem rodeios.

O que é o Microsoft Fabric, afinal?

O Microsoft Fabric é a plataforma de analytics da Microsoft que reúne Power BI, Data Factory, Data Engineering, Data Science e Real-Time Intelligence em um único lugar. Em vez de contratar vários serviços separados, você tem tudo dentro do mesmo ambiente, compartilhando o mesmo armazenamento (o OneLake) e o mesmo modelo de capacidade.

É uma proposta interessante, especialmente para quem já vive dentro do ecossistema Microsoft. A integração com Microsoft 365, Azure e Dynamics é quase transparente.

O gratuito do Fabric: duas coisas diferentes

Quando alguém pesquisa "Microsoft Fabric Free", está na verdade falando de dois modelos distintos. Confundi-los é o erro mais comum.

Trial de 60 dias

O trial é o mais robusto dos dois. Você ganha acesso a uma capacidade equivalente a F64 (64 unidades de capacidade), além de 1 TB de armazenamento no OneLake. Durante esse período, pode criar pipelines, notebooks, lakehouses, warehouses e colaborar em workspaces com outros usuários.

O que não funciona no trial:

  • Copilot e recursos de IA (Data Agent, funções de IA, AI Services)
  • Private Link para ambientes com requisitos de rede mais rígidos
  • Trusted Workspace Access, que é o controle de acesso avançado para dados sensíveis

São limitações que, para quem está avaliando a plataforma, provavelmente não vão fazer diferença no dia a dia. O trial serve muito bem para testar workflows reais antes de abrir a carteira.

Um detalhe importante: cada tenant do Microsoft Entra tem direito a até cinco trials. Se cancelar antes do prazo, os itens criados ficam disponíveis por mais 7 dias. Depois disso, somem.

Licença gratuita por usuário (a permanente)

Aqui mora a confusão. Existe uma licença por usuário que não expira, mas ela é bem mais limitada do que o trial.

Com a licença gratuita permanente, você pode:

  • Criar itens do Fabric que não são do Power BI (lakehouses, notebooks, warehouses) dentro de workspaces que já rodam em uma capacidade F-SKU paga
  • Visualizar conteúdo do Power BI, mas só se ele estiver em uma capacidade F64 ou superior
  • Usar o Power BI Desktop localmente para criar relatórios na sua máquina

O que não rola com a licença gratuita: publicar ou compartilhar conteúdo do Power BI na nuvem, colaborar em workspaces sem ter uma capacidade paga por baixo, ou fazer qualquer coisa colaborativa de verdade sem alguém pagando a conta da infraestrutura.

Traduzindo para o português direto: a licença gratuita permanente só faz sentido se você for um usuário dentro de uma organização que já contratou uma capacidade Fabric. Sozinho, sem pagar nada, você consegue usar o Power BI Desktop localmente. Só isso.

Os planos pagos e os SKUs F

Se o trial acabar e você quiser continuar, o caminho é contratar uma capacidade F-SKU. Os SKUs F vão de F2 (2 unidades de capacidade) até F2048, para quem tem volumes de dados que a maioria de nós jamais vai ver. O modelo de cobrança tem duas opções:

Pay-as-you-go: você paga por segundo, com mínimo de um minuto. Pode pausar a capacidade quando não está usando e parar de ser cobrado. Ótimo para times de desenvolvimento ou cargas de trabalho intermitentes. Um F2 nesse modelo custa aproximadamente R$ 1.500 por mês.

Reserva de 1 ou 3 anos: você se compromete antecipadamente e paga cerca de 41% a menos em relação ao pay-as-you-go. O problema é que a cobrança não para, mesmo que você pause a capacidade. Faz sentido para cargas de trabalho previsíveis e constantes em produção.

O OneLake é cobrado separadamente, em torno de US$ 0,023 por GB por mês. As capacidades incluem armazenamento espelhado gratuito equivalente ao número de CUs.

O threshold do F64: o ponto que muda o jogo

Existe um divisor de águas no modelo de licenciamento do Fabric que vale entender antes de tomar qualquer decisão.

Abaixo do F64 (ou seja, F2 até F32), todo mundo que vai visualizar um relatório do Power BI precisa ter uma licença Power BI Pro, que custa US$ 14 por usuário por mês. Num time de 20 pessoas que só leem dashboards, isso soma US$ 280 mensais só em licenças de visualização, além do custo da capacidade.

A partir do F64, usuários que apenas consomem conteúdo do Power BI podem usar a licença gratuita do Fabric. Ou seja, quanto maior a empresa e maior o número de pessoas acessando relatórios, mais o F64 começa a fazer sentido financeiro.

Para pequenas e médias empresas com times enxutos, a conta quase sempre fecha melhor nos SKUs menores com Power BI Pro para cada usuário.

Para quem o trial gratuito faz sentido hoje?

O trial de 60 dias é uma oportunidade genuína em três cenários:

  • Desenvolvedores e analistas de dados que querem aprender a plataforma sem comprometer orçamento. Dá para montar um lakehouse, criar pipelines com o Data Factory, escrever notebooks em Python ou SQL e entender como tudo se conecta.
  • Times de BI migrando do Power BI Premium (P-SKUs), que foram descontinuados em dezembro de 2024. O trial serve para testar a migração e entender os impactos antes de contratar um SKU F definitivo.
  • Empresas avaliando se o Fabric resolve um problema específico, como centralizar dados de fontes diferentes ou automatizar relatórios que hoje dependem de processos manuais.

O que aconteceu com o Copilot no Fabric?

Até março de 2025, o Copilot no Fabric era exclusivo das capacidades maiores. A partir daí, a Microsoft liberou o Copilot e os recursos de IA para todos os SKUs pagos (F2 e acima). Isso mudou bastante a proposta de valor para empresas menores, que antes precisavam pagar muito mais para ter acesso às funcionalidades de IA.

No trial gratuito, o Copilot ainda não está disponível, o que é uma limitação real para quem queria justamente testar essa parte.

Vale a pena começar?

Depende do que você quer fazer. Se a ideia é aprender, explorar e entender se o Fabric resolve um problema real para o seu negócio, o trial de 60 dias é uma das melhores formas de fazer isso sem gastar nada. Você tem capacidade F64 equivalente, que é o suficiente para montar pipelines, centralizar dados e gerar relatórios colaborativos de verdade.

Se a ideia é colocar em produção, a conta precisa ser feita com cuidado. Um F2 com 10 usuários usando Power BI Pro já soma em torno de R$ 2.000 mensais. Para uma pequena empresa, esse custo precisa estar claramente justificado pela redução de tempo em tarefas manuais ou pela qualidade das decisões que os dados vão embasar.

A Microsoft não criou o Fabric para substituir o Power BI Desktop gratuito. Criou para ser a plataforma de dados completa para times que já cresceram além das planilhas. Se você ainda está nesse caminho, o trial é o lugar certo para começar a entender o que te espera mais na frente.

Fontes: Microsoft Learn (fabric-trial, licenses, fabric-features), documentação oficial do Microsoft Fabric, Synapx Fabric Pricing Guide 2026, Promethium Fabric Pricing Guide, Alphabold Fabric Pricing and Licensing.