Se você ainda usa aquele fluxo antigo de subir um arquivo Excel ou CSV direto pelo navegador no Power BI Service, este artigo é um alerta. A Microsoft está encerrando o suporte ao importador legado, e o prazo final é 31 de agosto de 2026.
Não é uma mudança sutil. A partir dessa data, relatórios que dependem de modelos semânticos criados pelo fluxo legado simplesmente param de abrir. Nada de dados desatualizados, nada de aviso amigável. Erro na tela.
O que é o importador legado?
Quando o Power BI Service ainda era jovem, a Microsoft oferecia uma forma bem simples de trabalhar com dados: você entrava na página 'Criar', fazia upload de um arquivo Excel ou CSV direto pelo navegador, e o Power BI gerava um modelo semântico na hora. Sem precisar do Power BI Desktop, sem configurar gateway, sem nada complicado.
Essa facilidade teve um preço. Os modelos criados assim eram limitados: não davam para editar no navegador, não tinham opção de atualização agendada, e não podiam ser baixados de volta. Para quem precisava de um relatório rápido e estático, funcionava. Para quem precisava de dados vivos, era uma armadilha.
A Microsoft decidiu descontinuar esse fluxo. E fez isso em etapas.
As datas que você precisa saber
A depreciação aconteceu em três fases:
- 31 de maio de 2026: a criação de novos modelos semânticos pelo fluxo legado foi bloqueada. Ninguém mais consegue iniciar esse caminho.
- 31 de julho de 2026: os modelos semânticos existentes pararam de atualizar. Os relatórios ainda abriam, mas os dados ficaram congelados naquele momento. Qualquer coisa criada depois desse ponto simplesmente não aparecia.
- 31 de agosto de 2026: data final. Os modelos legados deixam de existir para consulta. Relatórios vinculados a eles retornam erro e não abrem mais.
Se você chegou até aqui depois de 31 de agosto, o estrago já pode ter acontecido. Mas ainda dá para resolver.
Quem é afetado?
A boa notícia é que a mudança não atinge todo mundo. Ela afeta especificamente quem criou modelos semânticos fazendo upload direto de Excel ou CSV pela interface web do Power BI Service e tem relatórios vinculados a esses modelos.
Se você criou seus modelos pelo Power BI Desktop e publicou no Service, está tranquilo. Se você usa os conectores de Excel e CSV dentro do Desktop e trabalha com arquivos no OneDrive ou SharePoint, também não há problema.
O jeito mais rápido de identificar modelos legados é checar no Power BI Service se eles têm as opções de editar no navegador, baixar o arquivo ou configurar atualização agendada. Se nenhuma dessas opções aparecer, é legado.
Administradores de tenant podem usar a API REST do Power BI para examinar a propriedade ContentProviderType dos datasets e identificar todos os modelos legados de uma vez.
Como migrar
A migração não é complicada, mas exige atenção para não perder nada.
Passo 1: abra o Power BI Desktop. Use a opção 'Obter Dados' para conectar ao mesmo arquivo Excel ou CSV que alimentava o modelo legado. O Desktop vai criar um modelo semântico novo, moderno, com todas as opções disponíveis.
Passo 2: publique no Power BI Service. Depois de configurar as transformações e validar os dados, publique o modelo no workspace correto.
Passo 3: reconectando os relatórios. Os relatórios antigos precisam ser apontados para o novo modelo semântico. No Power BI Service, há a opção de reatribuir a fonte de dados de um relatório existente, evitando a necessidade de recriar tudo do zero.
Se o arquivo Excel ou CSV estiver armazenado no OneDrive for Work ou SharePoint, o Power BI consegue sincronizar automaticamente qualquer alteração dentro de cerca de uma hora, sem precisar configurar gateway.
Para organizações que querem ir além, mover os dados para o OneLake do Microsoft Fabric é uma opção que elimina duplicação e centraliza tudo em um único lugar.
Por que a Microsoft fez isso?
O fluxo legado era tecnicamente inferior ao que a plataforma evoluiu para suportar. Manter dois sistemas paralelos, um moderno e um antigo, gera custo de manutenção, inconsistências de comportamento e confusão para o usuário.
A descontinuação força uma padronização que, no final, beneficia quem migra: modelos modernos têm refresh agendado, são editáveis, podem ser baixados e integram melhor com todo o ecossistema do Power BI e do Fabric.
É o tipo de mudança que dói na hora, mas que a longo prazo faz sentido.
O que fazer agora
Se você ainda não mapeou seus modelos legados, esse é o primeiro passo. Use o Power BI Service para verificar workspace por workspace, ou use a API REST para uma visão completa do tenant.
Depois, priorize os relatórios mais usados. Comece a migração por eles, valide os dados, e só então avance para os de menor uso.
Não deixe para a última hora. O prazo final é 31 de agosto, e um relatório quebrado no dia seguinte é exatamente o tipo de problema que ninguém quer explicar para o gestor numa segunda de manhã.
