Por anos, a parte chata de trabalhar com Power BI não era fazer os relatórios. Era a modelagem semântica: renomear tabelas, criar relacionamentos, ajustar medidas DAX que deveriam ser simples mas viravam uma tarde inteira de depuração. Pois bem, a Microsoft resolveu colocar o Copilot justamente nessa parte.
A atualização de junho de 2026 trouxe duas funcionalidades que mudam a lógica de como analistas e desenvolvedores trabalham com o Power BI: o Copilot no Web Modeling e as Agent Skills. As duas estão em Public Preview, mas já dá para entender o que está acontecendo.
O que o Copilot faz dentro do modelo semântico
A ideia é simples: você abre o modelo semântico no serviço do Power BI, entra no modo de edição e chama o Copilot pela faixa de opções. A partir daí, você digita o que quer em linguagem natural.
"Crie uma medida de margem de lucro." "Renomeie as tabelas para seguir o padrão fato e dimensão." "Identifique relacionamentos que possam estar com problema."
O Copilot analisa o esquema, aponta inconsistências e aplica as mudanças diretamente. Antes de fazer qualquer coisa na primeira sessão, ele pede permissão, e cria um ponto de restauração automático para você poder desfazer tudo se algo sair errado.
Isso não é pouca coisa. Quem já ficou 30 minutos tentando entender por que uma medida retorna BLANK quando deveria retornar zero vai entender o valor disso.
- Análise do modelo com recomendações de boas práticas
- Renomeação de tabelas e colunas
- Criação e modificação de relacionamentos
- Geração de medidas DAX com base em descrições textuais (totais, crescimentos, agregações)
O limite de input do Copilot subiu de 500 para 10.000 caracteres, então você pode dar contexto de negócio detalhado ao invés de prompts genéricos.
Agent Skills: a IA que constrói do zero
As Agent Skills são uma camada acima do Copilot. Anunciadas no Microsoft Build 2026, elas propõem algo mais ambicioso: um agente de IA que gerencia o ciclo completo de desenvolvimento analítico, dos dados brutos até o relatório publicado, com base em uma descrição em linguagem natural ou até uma captura de tela.
Funciona assim: você descreve o que precisa. O agente cria o modelo semântico (schema em estrela, medidas DAX, configurações para IA), constrói o relatório, formata e publica. Sem você ter clicado em uma única tabela.
A Microsoft faz questão de separar as duas coisas: o Copilot no Web Modeling auxilia o usuário humano que está editando um modelo existente. As Agent Skills são para desenvolvimento autônomo, onde o agente toma a frente do processo.
Para times que têm demanda alta de relatórios operacionais repetitivos, a combinação das duas pode significar uma redução grande no tempo de entrega.
DAX User-Defined Functions: agora com disponibilidade geral
Enquanto o Copilot e as Agent Skills pegam os holofotes, o lançamento das DAX User-Defined Functions (UDFs) em disponibilidade geral merece atenção.
UDFs permitem que você defina uma função de cálculo complexa uma vez e a reutilize em medidas, colunas calculadas e cálculos visuais. Isso resolve um problema antigo no Power BI: duplicação de lógica de cálculo espalhada pelo modelo, o que dificulta manutenção e aumenta chance de inconsistência.
Se você tem uma fórmula de margem de contribuição ou de meta vs. realizado que aparece em dez medidas diferentes, agora dá para centralizar tudo numa função e chamar ela onde precisar.
O modelo semântico como centro de tudo
O que a Microsoft está construindo, peça a peça, é uma arquitetura onde o modelo semântico é a camada de inteligência de negócio confiável que alimenta tanto relatórios humanos quanto agentes de IA.
A atualização de junho reforça isso com a experiência "Prep data for AI", que avalia a qualidade do modelo semântico especificamente para respostas de IA serem mais precisas. Há também o Outbound Access Control (OAP) no Fabric, que permite ao administrador do workspace restringir quais fontes de dados os modelos e relatórios podem conectar.
A ideia é clara: quanto melhor o modelo, mais confiável é o que a IA produz a partir dele.
O que isso significa na prática
Para quem é analista ou desenvolvedor de Power BI, o cenário está mudando. Não no sentido de "a IA vai te substituir", mas no sentido de que as tarefas repetitivas e mecânicas da modelagem estão sendo absorvidas pela IA.
Isso quer dizer que o diferencial profissional vai cada vez mais para o entendimento do negócio, para saber qual pergunta fazer ao modelo, qual medida tem sentido semântico real, qual relatório efetivamente ajuda uma decisão. A parte técnica de "escrever DAX correto" vai virar commodity.
Quem entende bem os conceitos por trás, como star schema, granularidade, contexto de filtro no DAX, vai usar o Copilot como um multiplicador de produtividade. Quem sempre copiou fórmula do Stack Overflow sem entender vai continuar copiando, só que de um jeito mais sofisticado.
As funcionalidades estão em Preview. Para habilitar, você precisa de licença Microsoft 365 Copilot e capacidade no Fabric. A documentação oficial está em learn.microsoft.com/en-us/power-bi/transform-model/copilot-web-modeling.
