A Microsoft colocou o Copilot em mais um lugar no Power BI. Desta vez, dentro da modelagem semântica pelo navegador, em versão preview. O recurso promete deixar analistas e desenvolvedores fazerem alterações no modelo de dados usando linguagem natural, sem precisar abrir o Power BI Desktop nem escrever uma linha de DAX na mão.
Vale a pena entender o que isso significa de verdade antes de criar expectativas demais.
O que é o Copilot in web modeling
O Copilot in web modeling é um assistente de IA integrado à experiência de modelo semântico do serviço do Power BI. Em termos simples: você abre o seu modelo semântico no Power BI Service, entra no modo de edição e clica em "Copilot" na faixa de opções. A partir daí, começa a conversar com ele.
Você pode pedir coisas como "cria uma medida de crescimento ano a ano para a coluna de receita" ou "renomeia todas as colunas da tabela fct_vendas para português" e o Copilot executa, ou pelo menos tenta.
O processo funciona assim:
- Você abre o modelo semântico na visualização de modelo no Power BI Service.
- Muda do modo de visualização para o modo de edição.
- Seleciona Copilot na faixa de opções.
- Digita o que quer fazer.
Antes de agir pela primeira vez, o Copilot pede permissão explícita para revisar e alterar o modelo. Essa aprovação vale para toda a sessão. E ele cria um ponto de restauração automático no início de cada sessão, o que facilita desfazer qualquer coisa que não saiu como esperado.
O que ele consegue fazer
As capacidades do recurso se dividem em três blocos:
Análise e recomendações
O Copilot pode revisar a estrutura do seu modelo e apontar problemas. Nomes de colunas inconsistentes, relacionamentos mal definidos, tabelas sem descrição. Pensa nele como um revisor que leu o modelo inteiro e te entregou uma lista de melhorias.
Edição do modelo
Aqui está o ponto mais prático. Usando linguagem natural, você consegue criar tabelas, colunas, medidas e relacionamentos. Também dá para gerar medidas DAX (totais, métricas de crescimento, agregações) e criar regras de RLS para restringir o acesso a dados por perfil de usuário.
Descoberta e organização
O Copilot sugere descrições para tabelas, colunas e medidas, propõe estruturas de pastas de exibição e indica quais campos técnicos devem ser ocultados dos autores de relatórios. Quem já trabalhou num modelo semântico mal documentado sabe o quanto isso faz diferença para quem usa o relatório na outra ponta.
O que ele não faz (ainda)
- O recurso está em preview, o que significa que pode mudar, quebrar ou não funcionar como o esperado em situações específicas.
- Usar o Copilot para configurar preparar dados para IA dentro do próprio modelo ainda não é suportado.
- As alterações respeitam as permissões existentes. Se você não tem acesso de escrita no modelo semântico, o Copilot não consegue editar nada.
- Funciona melhor em modelos bem estruturados. Modelo bagunçado com nomes crípticos vai gerar respostas ruins. IA não faz milagre.
Quem pode usar
Aqui vem a parte que vai frustrar muita gente: o Copilot in web modeling exige capacidade Microsoft Fabric F64 ou superior, o que inclui licenças Power BI Premium P1 (ou equivalente). Não funciona com Power BI Pro comum.
O F64 é um SKU de capacidade compartilhada. Pense nele como o aluguel de uma fatia de processamento da Microsoft. Custa bastante mais do que uma licença Pro individual, então esse recurso, por enquanto, é para empresas com infraestrutura mais robusta.
Além disso, as configurações de administrador do Fabric precisam permitir o uso do Copilot e dos recursos baseados no Azure OpenAI. Sem isso habilitado no tenant, nada funciona.
Por que isso importa para desenvolvedores de Power BI
Historicamente, qualquer mudança estrutural no modelo semântico exigia o Power BI Desktop. Abrir o arquivo .pbix, fazer a alteração, publicar de volta. Isso não é o fim do mundo, mas adiciona fricção desnecessária quando o modelo já está publicado e alguém precisa de um ajuste rápido.
A possibilidade de fazer edições diretamente pelo navegador, com a ajuda de IA para gerar DAX ou criar RLS, reduz esse ciclo. Para analistas que trabalham em modelos compartilhados e não têm acesso fácil ao Desktop, é uma mudança prática.
Também é um sinal do caminho que a Microsoft está trilhando. O Power BI está progressivamente se tornando uma ferramenta baseada no Fabric, e a modelagem web é parte dessa transição. Quem ainda trabalha em fluxos 100% baseados no Desktop vai precisar se adaptar.
Prepare o modelo antes de usar o Copilot
Um detalhe que a documentação da Microsoft reforça: o Copilot performa muito melhor em modelos bem preparados. Isso significa:
- Descrições claras em tabelas e colunas.
- Nomes que façam sentido para o negócio, não abreviações técnicas internas.
- Relacionamentos definidos corretamente.
- Medidas-chave já criadas e documentadas.
Modelo sem essa base vai gerar recomendações genéricas e medidas DAX duvidosas. O Copilot usa o contexto do modelo para entender o que você tem. Se esse contexto é ruim, a saída também será.
Conclusão
O Copilot in web modeling do Power BI é um recurso genuinamente útil para quem tem a infraestrutura necessária para rodá-lo. A proposta de editar modelos semânticos em linguagem natural, sem sair do navegador, faz sentido e resolve um problema real.
O problema é o requisito de licença. F64 deixa o recurso fora do alcance da maioria das empresas que usam Power BI no Brasil, onde Pro e Premium Per User ainda são a realidade mais comum. Quem tem acesso vai aproveitar. Quem não tem, vai acompanhar de longe por um bom tempo.
Por enquanto, o mais inteligente é preparar seus modelos semânticos corretamente agora. Quando o acesso chegar, você vai estar pronto para aproveitar.
